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Rema, Rema, al otro lado del rio : O salvamento de Bau

  • Milena Velloso
  • 24 de jul. de 2015
  • 2 min de leitura

As segundas e terças sou mãe solteira. Lelo, meu companheiro (as expressões marido e mulher não fazem parte do dialeto caponês) viaja para Iraquara, município há 50 km do Vale e sou eu quem assume o café da manhã e leva a pequena Marina a pé ou de Bike para escola. Acreditem, levantar cedo para uma coruja noturna como eu é um exercício que enobrece a minha pobre alma. Fazer café da manhã (sem tomar minhas duas xícaras matinais de extra forte), me encapuzar inteira e preparar a cria para enfrentar um mar de lama e ladeiras de bicicleta ou a pé, então? Isso praticamente me leva canonizada diretamente para as portas do paraíso. Paraíso que, atualmente pra mim é um país livre de coxinhas e de William Bonner dizendo boa noite. Falando sério, contem comigo pra qualquer coisa até as 3h da madruga, topo de parto à atracamento de navio, Mas logo cedinho (que no meu caso vai até às 8h30, mais ou menos) é de lascar o juízo. Vou no automático e nem registro como, onde e nem porque fiz.

Eis que numa dessas manhãs abençoadas, ainda sem cafeína e depois de tudo organizado e já prontas pra sair (capacete e casacos para enfrentar o tenebroso mundo da lama Capônica), ouço um choro, quase um grito distante. Deduzi, é Bau. Saímos correndo mata adentro, eu e Marina, ao que nos deparamos com o filhote de Baunilha na outra margem do rio, grunhindo, todo sujo de lama e sem saber o que fazer pra voltar. " Marina, fica aqui, ou melhor vai buscar uma toalha lá em casa, mas não saí da trilha, viu". Coração na mão, com medo de perder a filha tentando salvar o cachorro, tiro a roupa e me jogo no rio, a sensação térmica era de 5 graus negativos. O rio é estreito, deve ter uns 5 metros entre uma margem e outra, mas alcançar a outra margem leva uma eternidade. Frio, frio e mais frio. Pra piorar, chegando do outro lado Bau resolve fugir, provavelmente com medo da travessia gelada que o aguardava, lá vou eu, correndo atrás do pequeno e terrível Bau, completamente nua, no terreno de algum desconhecido, lama por tudo quanto é lado, depois de alguns minutos de corrida insólita, enfim resgato o pobre animalzinho indefeso, saio do rio com Bau encharcado no colo. Marina a essa altura já havia retornado com a toalha para aquecê-lo. Me visto e seguimos com a vida: lama, lama, mais lama e duas ladeiras depois , filha entregue e mamãe em casa...Ufa, duas xícaras de café mais tarde tudo será maravilhoso, penso eu como os meus botões. Percolador à mão, cheirinho do grão no pote. Hum, que delícia, ai meu Deus, cadê os fósforos? Encontro o palitos todos desmilinguidos depois de uma noite de farra dos pequenos caninos na minha cozinha. Vida que segue, as vezes sem café, com café, pero sem perder a ternura, jamais.


 
 
 

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Vida no Vale  por Milena Velloso. Orgulhosamente criado com Wix.com

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